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Minas Gerais: Parto “a jato” mobiliza equipe da Maternidade Odete Valadares

Unidade da Fhemig realiza cerca de 3.300 partos por ano e é referência em gestação de alto risco

Eram pouco mais de duas horas da madrugada quando o João Pedro, de apenas 33 semanas, recém-completadas, deu sinal de que iria nascer. Entre as primeiras contrações e o seu nascimento, foram menos de 40 minutos. Se não fosse pela ideia do pai de procurar atendimento na Maternidade Odete Valadares (MOV) – da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) – e a agilidade da equipe em receber o casal, o final dessa história poderia ter sido bem diferente.

Foto: Juliana Moreira / Fhemig

“Senti as primeiras contrações na madrugada e, então, eu e meu marido começamos a nos arrumar para irmos à maternidade. Chegamos a ligar para o meu obstetra, que faria o parto em um hospital da rede privada, em Nova Lima. Mas, logo que entramos no elevador do meu prédio, minha bolsa rompeu”, conta a mãe, a advogada Bruna Villas Boas Campos.

“Saímos do elevador e fomos em direção ao carro. Lá já pude ver os dedinhos do pé do bebê saindo. Minha esposa perguntou o que estava acontecendo, pois sentia algo saindo de dentro dela. Para tentar tranquilizá-la, disse que estava tudo normal, que era somente uma espécie de muco”, completa o pai, que é médico e diretor de Saúde do Ipsemg, Felippe Gonçalves Declie Fagioli.

Da residência do casal até a MOV foram menos de cinco minutos, já que, pelo horário, não havia trânsito. “Foi uma correria, ninguém estava esperando.Eu estava no plantão atendendo uma outra paciente quando as técnicas de enfermagem chegaram dizendo que tinha um bebê nascendo no carro. Peguei minhas luvas e fui correndo até a Bruna. Quando cheguei, o bebê já estava com as perninhas quase todas para fora. Colocamos ela na maca e seguimos rapidamente para o bloco. Dentro do elevador eu já pedi a ela que fizesse força e fui ajudando o bebê a descer mais. Ao chegarmos ao bloco obstétrico, ele estava com quase todo o corpo para fora e a cabecinha já começou a sair. Realizei a última manobra e ele nasceu. Foi uma grande emoção! Por se tratar de um bebê prematuro, ele precisou de algumas manobras para respirar melhor”, lembra a médica residente do 3º ano de ginecologia e obstetrícia, Manuela Lopes de Araujo Pinheiro.

Ela conta que foi um susto muito grande também por se tratar de um parto pélvico – em que o bebê nasce sentado. “É um parto mais complexo, que envolve muito mais riscos e complicações. Mas, no final, deu tudo certo e tanto o bebê quanto a mãe ficaram bem”, afirma.

Gravidez de risco

Felipe ressalta que a esposa havia feito um ultrassom na noite anterior e não tinha nenhum indício de que estava em trabalho de parto. Ele explica que a gravidez era considerada de alto risco, pois ela já estava tendo contrações desde a 22ª semana e, por isso, estava em repouso absoluto e fazendo uso de medicamentos para tentar segurar mais tempo o bebê na barriga.

Só elogios

Passado o susto, os pais são só elogios à Maternidade Odete Valadares. “Foi uma situação bem desesperadora, mas fui prontamente atendida pela equipe do hospital. Logo que chegamos na sala de parto, a equipe médica já estava toda nos aguardando. Acho que isso foi determinante para que desse tudo certo, porque sabemos que nessas horas cada segundo conta”, afirma Bruna.

O pai concorda. “Foi tudo muito rápido, uma velocidade assustadora. Da hora que a bolsa rompeu até ele nascer, deve ter dado menos de oito minutos. Como era um bebê prematuro, se tivéssemos optado por irmos para o hospital planejado, ele nasceria no carro e não teríamos como dar a assistência pediátrica adequada, podendo ter um risco de morte ou alguma sequela neurológica grave. Aqui ele foi super bem atendido e sua recuperação está sendo muito boa. Estamos gostando muito do hospital.Tanto que nem cogitamos transferi-lo para outro. O próprio obstetra da Bruna disse que não há necessidade, já que a MOV é uma maternidade com ótima assistência”, afirma Felipe, que já trabalhou no CTI Adulto da unidade por quatro anos.

Atualmente, João Pedro segue internado na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (Ucinca). “As médicas responsáveis disseram que ele está indo muito bem e nossa expectativa é que ele tenha alta da UTI em breve”, finaliza o pai.

Parto “a jato”

De acordo com a ginecologista e obstetra, coordenadora da residência médica da Ginecologia e Obstetrícia da MOV, Beatriz Amélia Monteiro de Andrade, o tempo de trabalho de parto é bastante variável, durando em média de 8 a 12 horas na fase ativa.

No entanto, ela explica que alguns fatores podem acelerar esse processo. “Infecção uterina, mulheres que já tiveram mais de dois partos vaginais, e em casos de fetos prematuros, o tempo pode ser menor”.

Quando procurar atendimento

A ginecologista e obstetra alerta que a gestante deve procurar atendimento assim que observar que as contrações uterinas – endurecimento intermitente do abdome materno – atingem um padrão de dois eventos a cada 10 minutos, com duração de pelo menos 25 segundos (isso com a paciente deitada).

“O rompimento da bolsa (saída involuntária de líquido pela vagina) ou a  perda de sangue em quantidade moderada também são sinais de que a paciente deve ser avaliada por um profissional da área. Além disso, sempre que possível, a gestante e seu bebê devem ser examinados, pois intercorrências podem acontecer. Nesses casos, a gestante deve ser levada rapidamente ao hospital mais próximo ou chamar o Samu (192).

O que fazer se não der tempo

A médica explica ainda o que fazer se o bebê nascer antes da chegada ao hospital.“Caso o bebê esteja prestes a nascer sem a presença de um profissional de saúde, é importante que a paciente mantenha as pernas um pouco afastadas, permitindo a saída do bebê. Depois, devem secá-lo e deixá-lo junto à mãe para que não perca calor, enquanto seja providenciada – o mais rápido possível – a  avaliação de um profissional”, orienta.

Sobre a maternidade

A Maternidade Odete Valadares (MOV) está localizada no bairro Prado, em Belo Horizonte, e foi inaugurada em 1955. Todos os atendimentos e exames são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, a unidade presta assistência integral à saúde da mulher e ao neonato e é referência em gestação de alto risco, além de atuar como hospital de ensino e possibilitar a capacitação e o aprimoramento dos profissionais da área.

(DA REDAÇÃO \\ Guth Gutemberg)

(INF.\FONTE: Internet \\ Ag. MG)

(FT.\CRÉD.: Juliana Moreira \\ Divulgação)